Sem nunca ter sido unanimidade entre os torcedores brasileiros, o goleiro Doni curte a vida na Itália, onde defende a Roma desde 2005. A identificação com clube é tanta que o camisa 32 acaba de renovar contrato por mais cinco temporadas e, já aos 29 anos, faz planos de encerrar a carreira na equipe.
Em entrevista ao Terra, o jogador afirma que não se importa com as críticas dos brasileiros. "Aqui na Itália não me preocupo com isso. Já ganhei a confiança de todos por aqui", afirma Doni.
Diferente de muitos boleiros brasileiros que têm grande sucesso no futebol europeu, mas que gostariam de entrar em campo pela última vez na carreira vestindo as cores dos times que os consagraram, Doni pensa diferente. O goleiro quer "pendurar as luvas" na Itália.
"Voltar ao Brasil só para morar mesmo. Sinceramente quero encerrar por aqui mesmo. Quando cheguei sabia que ia ser difícil porque eu era desconhecido. Ninguém acompanha o futebol brasileiro. Só acompanham quem joga na Seleção ou na Europa. Cheguei como terceiro goleiro e sempre sonhei em um dia ser titular. A gente sempre sonha, mas não pensei que fosse tão rápido", comemorou o arqueiro, formado pelo Botafogo-SP.
Atualmente, Doni vive um momento distinto na Roma. Com apenas duas vitórias em dez partidas no Campeonato Italiano, a equipe comandada por Luciano Spalletti vive situação complicada na classificação, enquanto que na Copa dos Campeões, o time da capital italiana é segundo colocado no Grupo A, atrás apenas do Chelsea, adversário que foi derrotado pela própria Roma na rodada passada.
Doni acredita que esse péssimo momento no Italiano ocorre por conta das várias contusões que os titulares da Roma sofreram no início da temporada. "Passamos por isso e agora está todo mundo voltando. O treinador estava com dificuldades para escalar. Chegamos a jogar partidas que não tinha nenhum zagueiro e tivemos que colocar dois laterais e isso atrapalhou. Começamos o ano mal e o psicológico fica abalado, mas aos poucos estamos tentando melhorar".
Os reservas de Doni também são brasileiros: Júlio Sérgio, ex-Santos, e Arthur, ex-Cruzeiro e Coritiba. O fato é que a Roma é praticamente dominada pelos brasileiros. Além dos goleiros, a equipe conta com Juan, Cicinho, Filipe, Taddei e Júlio Baptista.
"Aqui isso é normal. A Roma tem tradição em contratar brasileiros, então sempre temos as portas abertas aqui. Os times sempre procuram brasileiros. Mas tem jogadores de todos os lugares do mundo. A Inter de Milão, por exemplo, se tem italianos, são muito poucos. Mas isso (de ter muitos brasileiros) é muito bom, principalmente para nossa adaptação", admite.
Confira a entrevista na íntegra:
Terra - Há quatro anos na Itália, você já está totalmente adaptado com o futebol e com a cultura?
Doni - Já me sinto em casa. É o quarto ano aqui e já estou bem adaptado com a cultura, com o clube, com futebol europeu. O início foi bem difícil porque o dia-a-dia é diferente e o futebol é bem diferente. Quando cheguei, tinha poucos goleiros do Brasil na Europa, não era com é hoje. Naquela época tinha um pé atrás, mas aos poucos fui ganhando uma confiança. É legal isso de ser um dos primeiros goleiros brasileiros na Europa. É sempre um início complicado. Um dos que abriram as portas foi o Dida. Hoje os goleiros chegam bem mais tranqüilos, com mais moral.
Terra - Mesmo em um time grande como a Roma, você ainda sonha em jogar em algum outro clube do mundo?
Doni - Estou muito bem aqui, bem adaptado com a cidade, com clima. Minha família está muito bem. Acabei de renovar por mais cinco anos. Pretendo ficar e encerrar minha carreira por aqui. Já estou com 29 anos. Voltar ao Brasil só para morar mesmo. Sinceramente quero encerrar por aqui mesmo. Se eu tiver proposta para parar e se o Botafogo-SP tiver a oportunidade de me contratar eu iria para ficar alguns meses. Renovei agora e quando chega no momento de renovar acabam te ligando. Mas nunca dei muito espaço para especulações e sondagens. Não vou falar os times que entraram em contato comigo porque isso dá polêmica. Quando cheguei sabia que ia ser difícil porque eu era desconhecido. Ninguém acompanha o futebol brasileiro. Só acompanham quem joga na Seleção ou na Europa. Cheguei como terceiro goleiro. Sempre sonhei em um dia ser titular. A gente sempre sonha, mas não pensei que fosse não rápido.
Terra - O que está acontecendo com a Roma nesse início de Italiano? Quais são as dificuldades que o elenco encontra para conseguir resultados positivos?
Doni - Na verdade foi um início de ano bastante complicado por conta das tantas contusões que os titulares tiveram. Passamos por isso e agora está todo mundo voltando. O treinador estava com dificuldades para escalar. Chegamos a jogar partidas com dois laterais na zaga e isso atrapalhou. Começamos o ano mal e o psicológico fica abalado, mas aos poucos estamos tentando melhorar.
Terra - O time está sentindo a falta de Mancini e de Totti, que ainda não está muito bem?
Doni - A saída do Mancini foi complicada e a do Giuly também. Contratamos o Julio Baptista, por exemplo. Temos um bom elenco. É claro que o Mancini era muito importante, sentimos a falta dele sim, mas acho que as contratações supriram as necessidades. O Totti jogou pouco esse ano. É claro que a fase boa dele, quando ele está bem, melhora muito o time. O Júlio chegou e aqui o futebol é diferente. Estava na Espanha e já tinha jogado na Inglaterra. A adaptação está sendo um pouco rápida, mas chegou e se machucou também e agora esta voltando. Mas quando ele tiver bem, sei que tem potencial para ser titular. É forte, tem técnica e para nosso time é fundamental.
Terra - Como foi a vitória sobre o Chelsea, time de Felipão e de tantos craques?
Doni - Era um jogo de vida ou morte. Precisava de uma vitória importante para dar uma animada no pessoal. Foi um jogo bom e o time estava bem fechado dentro do vestiário. Foi um jogo em que todos deram tudo de si. Tínhamos que ganhar e foi fundamental para nós.
Terra - Mesmo tendo jogado em grandes clubes como Corinthians, Santos e agora na Roma, e tendo sido campeão com a Seleção você ainda é contestado por muitos. Por que ainda não conseguiu ganhar a confiança de todos?
Doni - Aqui na Itália já ganhei a confiança de todos. Tenho certeza disso. No Brasil é normal (desconfiança), porque ninguém acompanha o que acontece. Não tive a visibilidade que tive aqui. Fui para Seleção e passei por um momento complicado. Fui campeão da Copa América e depois não voltei mais. Mas aqui na Itália não me preocupo com isso.
Terra - Quando jogou no Juventude, você ficou amigo do Antonio Carlos, agora diretor esportivo do Corinthians, e ele que te indicou para a Roma. Como foi sua transferência para a Roma?
Doni - Faz um tempo que não falo mais com ele. Jogamos juntos e ele me ajudou muito para vir aqui para Roma. Ele que fez todo o negócio e sempre serei muito grato a isso. Foi uma indicação dele e no começo fiz um contrato curto. Vi como uma oportunidade. E não larguei. Ainda bem que acabou dando certo.
Terra - Você chegou a ver a atitude do Marcos na partida contra o Grêmio? O que achou?
Doni - Gosto do Marcão demais. Não sei como foi o jogo. Isso é de cada um. Não sei se iria para área também. Depende muito de um monte de coisas. Quando jogava no Corinthians eu ia. Inclusive teve uma vez que fui para área, acabei não conseguindo cabecear, mas quando eu estava voltando a bola sobre para mim e deu uma canelada para a lateral. O Rogério na época dominou, cruzou na área a acabou saindo o gol contra o Figueirense.
Terra - Você aposta em alguém para ser campeão brasileiro?
Doni - Esse ano está bem legal. Não acompanho muito, mas vejo pela Internet, vejo os gols. Não tenho palpite não. De repente o São Paulo, mas tem o Luxemburgo no Palmeiras. Se tivesse que apostar meu dinheiro não apostaria não porque acho que essa disputa vai até a última rodada. Mas acho que o título fica entre Palmeiras e São Paulo.
Terra - Como está as vésperas do clássico contra a Lazio? É pior que um Palmeiras e Corinthians?
Doni - O clima está bom. Está tudo tranqüilo. A Lazio está com um bom time esse ano. Mas o clássico é diferente. Até no ano passado eles estavam mal e acabaram ganhando da gente. É um jogo difícil e muito importante. A rivalidade é muita, mas é complicado você compara com um Palmeiras e Corinthians. Em São Paulo você joga vários clássicos no ano e isso acaba desvalorizando. Tem Copa do Brasil, Campeonato Brasileiro, Paulista. Tem clássico que nem enche estádio, aqui dois três meses antes já estão falando. Mas a rivalidade é mais ou menos parecida.
Terra - Qual você acha que foi sua melhor atuação em toda sua carreira?
Doni - Acho que a final da Copa América foi muito importante e a semifinal também. Fora os pênaltis, acabei fazendo grandes defesas na partida. Foi o jogo mais difícil da minha carreira, pela dificuldade, pela rivalidade com a argentina, pela tensão e por toda pressão.
Terra - E essa invasão de brasileiros na Roma? Isso é bom ou ruim para o time? E para os jogadores? Se sentem mais em casa?
Doni - Certa vez a Roma chegou a ter nove brasileiros, mas no Milan também tem bastante. Aqui isso é normal. A Roma tem tradição nisso então sempre temos as portas abertas aqui. Aqui na Europa é normal. A qualidade dos brasileiros é inquestionável. Os times sempre procuram brasileiros. Mas tem jogadores de todos os lugares. A Inter de Milão, por exemplo, se tem italianos, são muito poucos. Mas isso de ter muitos brasileiros é muito bom, principalmente para nossa adaptação.
Terra - Como que é amizade entre os tantos brasileiros quem têm aí na Roma?
Doni - Aqui o nosso grupo é muito bom, mas os brasileiros ficam mais juntos fora de campo. Tenho muitos amigos fora do futebol também e acaba ficando entre nós mesmos. Moramos todos bem próximos. Eu, Cicinho, Juan, Júlio Baptista temos filhos na mesma escola.
Terra - Como você vê a situação de Totti, o maior ídolo da Roma. Um jogador que jogou praticamente toda sua carreira em um mesmo clube. Como ele é visto na Itália por torcedores de outros clubes?
Doni - Aqui na Itália ele é visto como um grande jogador, não só na Roma. É um cara que decidiu ficar no mesmo clube a carreira toda. E quando ele parar acredito que vai ser considerando o melhor de todos os tempos. É um símbolo do clube. Certeza que ele vai ficar trabalhando aqui quando ele parar.
O goleiro Doni acertou, nesta sexta-feira, a renovação de seu contrato junto à Roma. O novo compromisso será válido por mais três temporadas, terminando em meados de 2012.
O jogador de 28 anos está há três temporadas no clube romano, onde vive a melhor fase de sua carreira. Pela Seleção Brasileira, Doni se destacou na conquista da Copa América 2007, disputada na Venezuela.
Revelado nas categorias de base do Paulista de Jundiaí, Doni começou como profissional no Botafogo, de Ribeirão Preto, time do interior de Estado de São Paulo. Jogando pelo Botafogo, destacou-se no Campeonato Paulista de 2001, com atuações destacadas em que defendeu alguns pênaltis, conquistando o vice-campeonato paulista daquele ano e também ganhando um prêmio de revelação do campeonato.
De lá foi para o Corinthians no mesmo ano, onde também ganhou títulos, como o Torneio Rio-São Paulo(2002) e Copa do Brasil(2002). No campeonato brasileiro de 2003, Doni era o grande nome para receber o prêmio Bola de Prata, da revista Placar, mas em um jogo contra o Santos agrediu fisicamente o jogador Fabiano, ficando muitos jogos sem atuar e acabou perdendo o prêmio para Rogério Ceni. Teve uma breve passagem pelo Santos, apesar de ter sido bastante criticado pela mídia da capital.
Após breve passagem pelo Cruzeiro, Doni jogou pelo Juventude, do Rio Grande do Sul, onde conheceu o zagueiro Antônio Carlos que o recomendou para a Roma-ITA, sua equipe atual. No futebol italiano, conseguiu maior reconhecimento. Com boas defesas e em boa fase, se cogitava até em uma possível cidadania italiana para ser reserva de Buffon na seleção Italiana, caso Dunga não o lembrasse em sua lista, porém acabou sendo convocado à seleção brasileira. Nesta, foi campeão da Copa América 2007, defendendo pênaltis também. Em 2007 também ficou no ranking dos melhores goleiros do Mundo, feito pela IFFHS. Embora com toda essa boa fase vivida e o tamanho reconhecimento no exterior, Doni continuou sendo alvo de críticas no Brasil, onde sempre foi muito perseguido.

Em 2009 teve uma contusão no joelho, o que impediu de ir para a Copa das Confederações daquele ano. Recuperado, teve problemas com seu time AS Roma pois foi vetado para jogar na seleção brasileira, nos amistosos contra a Inglaterra e Omã. No entanto, Doni não concordou com o veto e peitou a diretoria do clube, indo para os amistosos. A partir desse desentendimento, passou a ser reserva de outro goleiro brasileiro, o Júlio Sérgio. Esse fato foi lembrado por Dunga no dia 11 de maio de 2010 na sua convocação para a Copa do Mundo, onde Dunga disse ter sido uma atitude de patriotismo. Aos 30 anos, Doni irá disputar a sua primeira Copa do Mundo.
Totti: profissional, craque e... comediante!
“A minha relação com o Totti é muito boa. Ele é realmente é o que aparenta, uma pessoa bem simples e humilde, que nem parece ter a moral que tem. Fala e brinca com todo mundo, além de ser super profissional, cumprindo os horários como todos, diferentemente de muitas estrelas por aí. Além disso, o Totti é um cara que fala errado o dia inteiro. Na verdade, ele nem fala italiano, ele fala “romano”. Eu já estou com dois anos de Itália e só agora estou entendendo o que ele diz... o Juan e o Cicinho, que não têm tanto tempo aqui, não entendem direito o que o Totti fala. Ele é muito engraçado.”
“Os treinos são normais, é como se estivéssemos no Brasil mesmo. Quanto mais brasileiros, melhor. Em relação a quem for jogar, é o técnico que decide. Na verdade, o pessoal daqui até pediu minha opinião sobre o Arthur, e eu disse que seria uma boa.”Briga brasileira no gol do Roma
Seleção brasileira
“Não estou preocupado em ter ficado fora da última lista de convocados. Na verdade, o Jorginho até me ligou antes da última convocação para saber da minha situação. Daí falei a verdade, ou seja, que estava me recuperando de uma tendinite no joelho direito, sendo que também estava voltando de férias. Disputei a final da Supercopa com apenas três treinos e com dores. Ainda estou sentindo um pouco, mas já estou melhorando, pois estou fazendo um trabalho específico aqui. A seleção vai ter dois jogos importantes nas eliminatórias e precisa de jogadores que estejam 100%.”
Goleiro da seleção fez tratamento na Clínica Physio Athletic
O goleiro Doni, da Roma (ITA) e da seleção brasileira, curtiu poucos dias de férias em Ribeirão Preto (SP), mas não deixou de passar pela Clínica Physio Athletic, onde esteve sob os cuidados do fisioterapeuta Pericles Machado. Além de visitar o amigo dos tempos de Botafogo, Doni aproveitou para tratar uma pequena contratura muscular que sofreu durante uma pelada de confraternização que disputou com os amigos jogadores de Ribeirão.
“Doni já se recuperou e viajou para a Itália 100%”, afirma Péricles Machado. |
DONI X JÚLIO SÉRGIO (ROMA)
| O goleiro Doni era o titular da Roma até o final de 2009, quando aceitou uma convocação para a seleção brasileira a contragosto do time italiano. Depois disso, passou a amargar a reserva do seu compatriota Júlio Sérgio e, mesmo assim, foi convocado para ir para a Copa do Mundo da África do Sul. Na última temporada, Júlio Sérgio fez 30 partidas contra apenas sete de Doni. A disputa dentro de campo atrapalhou a convivência extra-campo dos atletas e, atualmente, os dois apenas se cumprimentam e um não fala sobre o outro. |  |